terça-feira, 26 de julho de 2011

bem-me-quer



E cá estou eu, dessa vez pra contar a satisfação de minhas mãos ao colherem, logo cedinho, um bocado de tulipas adocicadas. Me perguntaram quantos mal-me-quer tem numa flor. E minha resposta foi silenciada pela insistente lembrança das tais tulipas que enfeitavam meus passos lentos. Quando resolvi agoar o bom do amor e soprar bem forte o tanto de mal-me-quer (que eu nunca quis), a flor que me acolhia toda manhã passou a ter apenas bem-me-quer. Enquanto ao resto, sei que o vento sempre faz um bom trabalho.

Sorri tranquila no meio de um campo que brota flores em compota.

Um beijo,
com açúcar e afeto.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

De onde vem a calma?



Sempre tive a plena convicção de que alguém ouvia o eco de minha voz por detrás das montanhas. Eu sei o que enfeita aquele lugar sonhado, e devo confessar às roseiras cintilantes que elas nunca precisaram de esforços doentios para serem tão puramente lindas, tal o motivo de tanta admiração minha.
Ontem ouví prantos da minha metade exausta. Sentí como se estivesse sendo arrancada sem dó nem piedade de um lugar santo e presenteada com vendas sobre os meus olhos. Um ontem distante, [desapegado].
Minha maior satisfação em tudo isso é a certeza pulsante de que toda resistência mantida por algo nobre, sempre valerá à pena. Isso é uma questão entre você e mais ninguém. Não é constante meu riso feliz, mas a força de dentro que me mantém de pé, sim. Percebo pelo o que devo brilhar e as renúncias estritamente necessárias, porque me ensinaram que nem tudo o que brilha é ouro. [palavras muito bem acolhidas]
Desejo que em todas as manhãs (cinzas ou lilases) eu possa escolher sorrir pelo imperecível e manter a constância que tanto me sustenta. Têm muitos cravos antes das roseiras e algumas rochas na estrada que dá para o vale depois das montanhas, mas quem disse que seria fácil? Ciclo compensatório.
A força que me mantém de pé é a mesma que diz para eu mandar embora tudo o que me corrói lentamente. Uma pequena diferença entre você sofrer com e sem Deus, é que com Ele a tristeza vem, ronda seu lar, mas quando vai embora ela não te rouba nada.

"Eu não vou mudar não
Eu vou ficar sim
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final assim calado
Eu sei que vou ser coroado
Rei de mim..."
(Marcelo Camelo)

sábado, 2 de julho de 2011

Frequência


Seu olhar fixo em algum objeto do quarto era o mesmo que lhe revelava a distância de coisas efêmeras, entre ela e ela mesma.
De tão real, a luz se tornou palpável.
Muito mais que certezas: hoje ela sabe o que não quer mais em sua gaveta, mesmo na dúvida se sorrir para a cor ou para canção.
A moça se conhecia.

[dorme medo meu.
cura Senhor, onde eu não posso ir]

 pensamento cheirando a Caicó;
três dedos de água gelada;
esperando o pai lindo chegar de viagem;
unhas vermelhas para afrontar o cinza que às vezes paira.

terça-feira, 28 de junho de 2011

-

"E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção." (Vinícius de Moraes)



Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca, porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado. E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim, no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo. E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro. E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.
E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.

(Vinícius de Moraes - Para uma menina com uma flor)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Um lugar gigante


pés frios. cores opacas.

O banco de madeira fica aqui nesse jardim em todas as estações. Foi tão bem construído, tão bem firmado, que nenhuma ventania ou algum tipo de tempo, se atrevem a destruir ou envelhecê-lo. Tentam, mas o banco é forte. Tem dias que você o vê entre um olhar e outro, mas me entristece ao perceber que foram apenas olhares de relance, porque minha vontade era só sentar e conversar mais um pouco. Um pouco sem fim. Mas logo você partiu novamente. Nem me atreví em dizer tchau acenando com as mãos, porque você sabe bem, que elas têm outro sentido, e nem ficam bravas quando as apertamos com toda força do mundo. Foram feitas como acalento: "eu sempre vou estar aqui."
Quando é primavera e as cores saem tomando conta de tudo, o banco aproveita pra sorrir junto com as margaridas. Mas hoje (sem saber ao certo a estação), ele está vazio. Mas é só por hoje. Só às vezes. Vezes de colapsos temporais. Entenda, isso tudo é pra dizer que essa solidão não passa de impressão boba que nunca altera o belo inefável. Sei lá, o coração teimoso tendessascoisas. - Ágape é soberania -
Digo que é no silêncio que me encontro. Mas tem silêncio em algum canto impedindo o florescer desse jardim. Tem silêncio com espinho machucando nossas hands of light...
Mãos de quê? de Luz!
Sim, de luz.
Uma luz que não produz sombras.

Voa com as asas que escolheres, passarinho.
Mas lembre sempre de voltar sereno pra pousar no mesmo banco acolhedor.
E aninhar... essa Ninha.

v e r m e l h o  e  l i l á s ,
é sempre assim que acaba. (e começa um novo dia)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sobre ela



A menina de olhos castanhos amendoados e cabelos compridos, gosta de livros viajantes e grifa trechos das palavras que roubou para si; mexe os pés pra dormir e quando adormece, fica sonhando coisas bonitas porque pediu a Ele pra não ter pesadelos; troca uma balada pra assistir (de cobertor e três controles remotos ao alcance das mãos) o filme que, sem dúvida, lhe fará chorar, porque ela é uma verdadeira manteiga derretida; gosta de acordar cedo e caminhar até as pernas reclamarem; observa bastante os outros quando estão distraidos e canta sem voz aquele trecho de música que diz que é pra ter força e que a estrada vai além do que se vê; tem o lápis e o papel como amigos indispensáveis na  vida; adora tomar chá sem açúcar; não tem nenhuma rede social, porque num ataque de nervos resolveu fazer um teste de quem são seus amigos fora do computador; tem um passarinho azul chamado Leôncio, tão subliminar quanto as fotografias que gosta; procura pensar do seu jeito e faz coisas que alimente sua alma, e dentre tantas, a primeira delas é retribuir tudo com amor. Amor nas palavras, nos sorrisos, no que vê. Porque amar, é a tarefa mais linda e compensatória que Alguém lhe ensinou. Essa menina sorri, mas também cansa de falsas promessas.

uma queda.
mãos limpam os joelhos após levantar.
um passo, um passo, uma pausa.
outro passo novamente.

Que seja doce,

terça-feira, 14 de junho de 2011

Arbítrio



Que o olhar que se encanta com pequeninas coisas nunca me diga adeus. Que as notas musicais mais doces sejam absorvidas não só em audição, mas ecoadas por toda parte em mim (pulmões enchendo-se de ar curador...). Que eu não dê bola praqueles ignorantes, prodígios da superficialidade. Que eu tenha mansuetude para polvilhar um ambiente que careça calmaria (principalmente minha morada interior...). Que em todos os passos, eu tenha Deus como guia e o amor como remédio para qualquer mal.  Que as cores sejam sempre vivas, as maçãs sempre doces, os livros indispensáveis e os balões cheinhos de sopros genuínos. Que eu queira sol quando a tempestade desejar me envolver. Que meu sofrimento seja resignado. Que eu saiba que nunca estarei sozinha. Que o brilho que eu carregue não seja das roupas. Que a Lei de Talião não more em mim, porque eu sei que também erra aquele que revida. Que o egoísmo seja nada. Que mãos dadas seja tudo. Que a carência seja de coisas imperecíveis. Que a fé seja meu sustentáculo. Que a poesia se faça oração ,

"Mais uma vez Sofia tentava pensar por si mesma
 e não usar o que tinha aprendido com outras pessoas."
 (O Mundo de Sofia - página 53)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

-


' eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
(...) caminho em frente por sentir vontade ..

eu quis te convencer mas chega de insistir
caberá ao nosso amor o que há de vir
(...) caminho em frente pra sentir saudade ..

                                                       (...) . clipes e
                                                                      lápis de cor
                                                                             na minha cama . '

(Janta - Marcelo Camelo)
recomendo:
para satisfazer o coração com os olhos e desfazer as amarras do preconceito, taí o curta-metragem: "Não quero voltar sozinho".
para alegrar os ouvidos com música rara: "Janta", de Marcelo Camelo. (trilha sonora do curta).

bons pensamentos :*

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Fluir


Eu quis não sentir. Eu quis não importar.
Desejei um abrigo fora, mas nenhum dos tais me agradaram; tampouco me acolheram como eu (ilusoriamente) pensei.
Quis tanta coisa por um breve minuto e demolí tudo depois de um respirar mais profundo...consciente.
Parte do que eu vejo não está (definitivamente) em comunhão com o que preciso. Taí uma explicação cabível.
É bela e gentil a aproximação de duas ou mais partes, por simples vontade do espírito.
É feio e repelível aquele "estar alí" por puro comodismo, conveniência ou pressão.
Comunhão fiel e incansável é aquela que quando olho pro céu, reflete todos os meus sonhos e os acolhe sem nenhum esforço... Tudo f l u i, como tem que ser.
Seres humanóides às vezes me cansam, deveras.
Quero é me esquivar de imposições e dizer sim, para aquilo que vem por vontade própria.
Por simplesmente querer ficar.
Por não carecer de explicações a outrem.
Não se engane:  o "outrem" não sabe um terço do que realmente te faz respirar.

*Caladinha, sentindo cheiro de livro novo e despedindo de tudo o que me atrasa.
Porque só eu sei do peso de cada carga em minhas costas.

Hoje quando procurei um abrigo, um bloco de papel sorriu pra mim.

"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convém.
Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me edificam."
 (l Coríntios, 10:23)

sábado, 4 de junho de 2011

E seguiu



Viu que as asas estavam machucadas, mas quis voar mesmo assim.
Colocou remédio nas feridas e seguiu.
Aprendeu que, para voar da maneira que ela desejava todos os dias,
só bastava ter asas do lado de dentro.
E nem se importou mais com aquelas feridas bobas nas asas de mentirinha.
Agora que ela tinha o band-aid certo, simplificou tudo e foi conhecer o mundo que havia dentro de sí.
Voando...como sempre quis.

um fim de semana cheio de luz e um beijo de boa noite :)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

o'clock


Naquele dia somente os afagos sobreviveram.
[sem artifícios, assim eu pensei].
E como para tudo o que anoitece, lá vem o sol devolver porções de luz em potes transparentes ..
Só basta você consentir ou não.

"Tudo tem o seu tempo determinado,
 e há tempo para todo o propósito debaixo do céu." (Ecl 3:1)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sê pássaro

Que a verdade se firme na alma e não nos errôneos olhos da matéria.


Para serem ditas e para serem silenciadas também. As palavras contidas entre o barulho dos carros e o pulsar de um coração sonhador sempre estiveram no topo da minha seleção. São aquelas que os ouvidos escolheram absorver, obedecendo os pedidos da alma. Como já disse, acredito que o silêncio nunca foi mudo, porque quando mais precisei de respostas, foi ele quem me abraçou. Quando quero ver a alma que eu guardo, fecho os olhos e as palavras sonoras não me valem muita coisa. Existe som dentro de mim e essas palavras gostam de se embaraçar nele. Juntos, formamos um mundo um tanto estranho aos olhos de fora, mas é justamente esse o objetivo: acomodar coisas de dentro que nunca precisaram ser palpáveis para se tornar verdade, e mostrar, em silêncio, a esse mundo aí, dito "realidade" que a necessidade mais linda que uma alma tem, está dentro dela mesma. E ela respira sem sufoco. Vamos caminhando para algum lugar que tenha passarinho sussurrando, nos dizendo que bom mesmo é voar. Mandar embora palavras estranhas ao coração e ver luz no silêncio dos olhos que nos envolvem puramente. Eles conversam comigo.
Tantas forças nossas mãos dispensam. Tantos ninhos desfeitos por pura teimosia, ou porque alguém disse que o melhor a ser feito era assim. - não, não quero levar isso pra nenhum lugar - Quero somente sentir meu coração bater por motivos que o agradam. Porque sei que a vontade dele anda de mãos dadas com desejos genuinos e empoeirados com milhares de violetas. Isso me faz sorrir.
Bem longe do agrado de uma dita "realidade", mas muito perto de mim.

Sinto uma vontade tamanha de dá lugar aos ninhos - não desfeitos -
De abraçar - com coração aberto -
De viver os sonhos - afofando nuvens -
E dizer algumas palavras - em silêncio -
Sê pássaro ,
Ide para teu mundo mais leve.

"Não ajunteis tesouros na Terra, onde a ferrugem e os vermes os corroem; onde os ladrões o desenterram e roubam; mas formai tesouros no céu, onde nem a ferrugem nem os vermes os corroem; porque onde está o vosso tesouro, aí também está o vosso coração." (Mateus - 6:19)

-


"As circunstâncias entre as quais você vive determinam a sua reputação. A verdade em que você acredita determina o seu caráter.(...)A reputação é o que você tem quando chega a uma comunidade nova. O caráter é o que você tem quando vai embora. A reputação é feita em um momento. O caráter é construido em uma vida inteira. A reputação torna você rico ou pobre. O caráter torna você feliz ou infeliz. A reputação é o que os homens dizem de você junto à sua sepultura. O caráter é o que os anjos dizem de você diante de Deus."  (Arnaldo Jabor)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Manter

...aquele velho abraço, sorriso na cara e os reais motivos.


Tava eu aqui com meus botões: "há tantos dias quero escrever alguma coisa, mesmo sem relevância sabe, só pra transformar algum sentimento em palavras sólidas." Mas não me senti motivada pra pegar algum lápis ou fazer parceria aqui com esse teclado, que agora está polvilhado com alguns farelos de bolacha.
Uma ligação. Poucos minutos. Duas pessoas do outro lado e uma saudade gigante. Mas antes de estarem do outro lado, estão aqui dentro, do lado de cá. Valor incontestável.
Eu cá com meus botões novamente: "acho que vou escrever".
- vai ver eu estava mesmo esperando por isso.. -
Queria escrever coisa bonita, sabe. Mas coisa bonita não liga pra isso não, bom mesmo é sentir. E eu sinto vontade de abraçá-las.
Quatro minutos e uma vida pulsante.
Que tipo de papel, computador ou celular traduziriam isso? Nenhum.
Afeto a gente carrega sim, na mochila da Vida.
E porque cativou, somos responsáveis. Nobres palavras da raposa ao pequeno príncipe.
Desconheço ladrão que tem poder de roubar esse tesouro. Ah...não tem mesmo.
Duas flores.
Uma, quando aos doze anos de idade me fez ver em sala de aula, o lindo coração que ela carregava, a algumas carteiras de distância. A outra, quando me fez descobrir a beleza que existem nas flores em forma de animais. Um timbu diferente de todos os outros já vistos.
Tenho mesmo é que agradecer a Deus por enfeitar meu caminho pedregozo.
Por me dar força de tirar as pedras e perceber singelas flores que sorriem pra mim. E sei que permanecerão sempre, por causa daquele tal afeto que muitos ouvem falar e poucos se encorajam em tê-los. A gente não é covarde a tal ponto.
Prometo sim, dentre meu abraço, muitos sorrisos contidos nos silêncios e nas bagunças.

Pra mim, eis um motivo nobre: O que fica, não é cerveja.
- que não morram as entrelinhas -

 Um beijo, Di e Bah.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

-


coração-que-cabe-esta-oração

.. e n c a n t a d o r
Peguei quando fui costurar estrelas com a Noe.
um beijo na alma ,

Amuleto


Quando bate aquela vontade de gritar, escrevo. Assim como quem não quer nada. E vou esparramando no papel, seja ele em branco ou já rabiscado, feito aquarela...cores, letras e ninhos, bem forrados. O que eu não quero é entris[tecer] minha alma e acabar escrevendo aquilo que eu nunca me diria (pelo menos não nos dias de hoje, depois de muito aprender). O que eu mais quero, é deleite...O que eu mais quero está contido no silêncio e beleza da primavera. Tempo de goiabeira pronta pra fazer doce em compota e ser feliz. Tudo tem cor. E peço a Deus que nunca me prive de vê-las, que minha coloração nunca seja esquecida. Desejo gritar, e calar logo em seguida. Da forma que eu sei fazer. Da forma singela que abraça minha alma e serve um café com bolo quentinho, só esperando o papo de uma palavra e meia. - porque falar muito me cansa - Da forma que apazigua meu espírito e pede pra que eu pare de choramingar pelos cantos da casa. Da forma que me sinto completa, e todas as outras coisas nem existem mais...
Que eu nunca coloque o silêncio apenas como enfeite ou admiração, mas que ele revista minha essência e seja resposta para tantas explicações desnecessárias. - o silêncio nunca foi mudo - Que eu nunca esqueça onde colocar meu coração e  sobretudo, saber que quando me sinto mais sozinha, é que estou acompanhada.
Minha mente acalma, porque antes de levantar, bem cedinho, eu rezei. Só porque vem um passarinho todos os dias me inspirar a respirar. Ele é meu amigo. E habita em minha morada, assim, quando estou bem mansinha e com as mãos juntas, perto do queixo.
Fecho os olhos , 

domingo, 15 de maio de 2011

I know, God.


Em meio ao frio e atenção voltada para o trabalho da faculdade, curti o dia tomando chocolate quente e pés cobertos por meias, também quentes, e listradas.
Aproveitei à beça, mesmo esses objetos integrantes sendo curtidos apenas por pensamento, junto com Emília. Aquela pessoa da alma, sorriso sincero e olhar reluzente. Eu sei.
Se não tem, inventa.
Seja lá o que for.
Abraço fofo de travesseiro, pote de beijo, flores flutuantes, cobertor que consola, travesseiro que guarda seus segredos, bom pensamento que te faça forte feito rocha e um ou dois sorrisos oscilantes no canto da boca, só por ter visto uma imagem bonita ou uma frase coberta dos bons sentimentos.
Ele não disse que me privaria das dores nem das lágrimas que caem feito chuva, mas me deu o Seu amor para eu ter em que acreditar; o Infinito para eu ampliar a forma com que caminho e verdadeiros motivos que me movem. Eu sei.
Gosto de inventar.
E que essas invenções sejam compostas de pureza e simplicidade, assim como as flores flutuantes, o chocolate quente e as meias listradas de hoje.
Simplesmente por ter que escolher entre colocar a cabeça no travesseiro e me entregar ao que martiriza e faz doer, ou àquilo que respiro mansamente e me faz ficar de pé. São escolhas.
Eu sei.
Que o amanhã resulta das ervas daninhas ou das flores que escolhi plantar hoje.
E mais que saber,
Sentir.
Que em meio as amarguras, existe o bálsamo que consola.

Põe na mala somente o que você necessita e caminha ...

M i u d e z a s , em mim.

um afago,

quarta-feira, 11 de maio de 2011

No papel


"Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura. Esses, sim, são os bons. Eu só escrevo pra fazer afagos. E porque eu tinha de encontrar um jeito de alongar os braços. E estreitar distâncias. E encontrar os pássaros: há muitas distâncias em mim (e uma enorme timidez). Uns escrevem grandes obras. Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas."  (Rita Apoena)


Escrever pra sentir que dói menos.
E deleitar-me em espaços brancos que me curam ..
d e s v a n e i o
Lavo o rosto em água transparente,
Friltrando poeiras maléficas. 
Escrever me muda.
Não me cala.

terça-feira, 10 de maio de 2011

In


"Só mesmo a beleza das coisas simples para nos livrar da frieza das coisas mornas." (Priscila Rôde)

Hoje eu desejo a mim e a quem quiser,
uma música de flauta doce, bem doce.
.. pra sorrir sereno e sentir mais pureza que fel.
Assim seja.

l u z
e
c o r e s

domingo, 8 de maio de 2011

Libertarde

"Passava os dias alí, quieto, no meio das coisas miúdas.
E me encantei." (Manoel de Barros)


Dois pássaros na grama, três cores de outono quebrando o verde e o nascer de um pensamento já atrasado: "Por pensar demais, preferi não pensar demais dessa vez."
A princípio, sentí como se fosse preciso trancar o cadeado. Confesso que inutilmente tentei fazer isso, só que para minha surpresa ele emperrou, olhou-me fixamente e questionou: se você perder a chave?
Fiquei vagando em meus pensamentos, mas prometi no início das palavras - na companhia de pássaros e cores amarronzadas - que não pensaria demais dessa vez. Deixei isso pra lá e permiti que outros fluidos me conduzissem pra cantos com cheiro de terra molhada.
É, realmente a gente nunca sabe quais coisas vão embora - nunca em boa hora - e quais chegarão.
.. desejo que tudo o que fique, seja suficiente para que possa levantar e dá o primeiro passo, ou a continuar puramente o que já tinhas começado. - amém -
Habitue-se em habitar coisas que te fazem respirar.
Não crie o tipo de coragem para comprar um cadeado barato, a fim de que nada possa adentrar essa camada [im]permeável. Sinceramente? Não adianta.
Ninguém precisa de martírios.
  ... m a r   e m   l í r i o s ...
Não te esqueces, pois.
Não te enganes, pois.

Libélulas encantadoras sugerindo mais um pensamento atrasado: a dor que te cerca num piscar de olhos, pode ir embora da mesma maneira.
... só saiba o lugar certo que ande de mãos dadas com seu coração.

Liberdade!
Ainda que tardia.

 um bolo de laranja no forno, feito pela mãe mais linda do mundo :)

Que sejamos doce,