sábado, 2 de fevereiro de 2013

indissolúvel

Para transformar deficiência em eficiência


Perdi as contas de quantas noites eu deitei a cabeça no travesseiro com a decepção de não ter escrito ou transcrito um punhado de coisas. Eu vivi muito durante esse tempo de ausência, mas eu queria ter contado sobre ela. Nos últimos dias me foi  dado um prazo de uma semana  para que minhas palavras perambulassem por todos os caminhos possíveis de tijolos amarelos, e que com um pouco de teimosia, é claro, eu administrasse minhas horas como sempre gostei de fazer. Essa ausência nunca durou muito porque não gosto de cotidianos frios, mas se por acaso demonstrei isso, perdoe-me, minha relação com o mundo é um tanto quanto exótica.

Eu posso falar sobre as dores que a velhice está aprontando com o meu cachorro agora, o que não machuca somente a ele, mas dói tanto que não me atrevo a transformar esse processo natural em poesia concreta. Posso quem sabe, discorrer a respeito de minha tentativa frustrada ao querer que pelo menos uma pessoa nesse mundo entenda o porquê eu preciso me despetalar toda para me moldar em prece um tempo depois, mas bem sei que ninguém precisa estar a par das próprias loucuras, que dirá das alheias. O mundo é feito de complexos, cansaços.

Eu não estou aqui porque simplesmente me estipularam um prazo para que palavras saíssem de minhas entranhas mundo a fora, mas sim, por eu acreditar que uma das maneiras que me auxiliam – não sei em que - seja exatamente esse despejo de sílabas, – não busque sentido em nenhuma delas – que no final das contas tudo se mostra como um verdadeiro vômito de coisas não ditas para mim mesma. Mantenho distância da auto-anulação. Escrevo porque vivo entre átrios e ventrículos.

Quem vos fala é uma velha, uma louca. A cada segundo sua própria imagem do nada se transfigura em molduras numa parede à meia luz. Certamente não está em minhas mãos escolher o tom que você quer colocar em seu cômodo, mas é tarefa minha saber o que eu tenho a ofertar. Há duas horas era sexta-feira, mas digo que meu relógio está absurdamente atrasado, por isso, de ontem em diante continua sendo o que eu quiser que seja. Acalento.


Entra pra ver, mas só depois de bater os pés no tapete.

5 comentários:

  1. Uma boa maneira de começar meu sábado (sim eu acordei tarde, pois estou sem rotinas...) Espero mais de suas palavras tranquilizadoras amiga!! Bjo

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  2. Parabens pelo regresso ao mundo insalubre de palavras dispersas, dessílabas loucas, sempre inconstantes, como nossa alma, inquieta.,
    Beijos.,

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  3. Adorei te ter de volta. Que venha pra ficar!

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  4. Limpei os pés, Querida é sempre bom estar com você!
    Tuas palavras e tua energia me acalentam, poesia também e oração!

    Invoco a fé, a calma e a coragem, Beijos :*

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  5. Bom mesmo é dividir tudo isso com vocês.
    Palavras de prefixos, fixos
    Eu fico
    Porque assim eu respiro...

    Obrigada pelas energias, meus amores

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Pode dividir seu fragmento mental :)